segunda-feira, 19 de setembro de 2011

MASSÃO TAKEBAYASHI

Há algum tempo queria escrever uma história sobre os personagens... hoje um dia triste finalmente chegou a hora.... acredito ser uma história de como admirar e ser admirado por alguém em poucos segundos...

Sr. Massão 76 anos, um oriental de olhos puxados mas coração grande, capaz de envolver uma pessoa em poucos segundos com seu jeito de cativar..... morador do prédio onde moro, no segundo andar... quantas vezes cruzamos pelo elevador.. ele sempre  com um sorriso encantador me cumprimentava e logo chegava seu andar....

Sua simpatia me fazia comentar com uns amigos, que existia um casal de velhinhos no prédio que ao subir no elevador me passava tanto carisma, que mudava o dia para melhor.... se longe eles vinham caminhando devagar em sentido ao elevador era uma das pessoas que dava prazer em segurar a porta para ajudá-los a entrar e aproveitar a rápida subida...

Algumas pessoas geralmente enrolamos ou subimos correndo para não ter o desprazer de passar alguns segundos fechado com ela no elevador... até mesmo as escadas nessa hora parece ser uma boa opção... cinco andares para deixá-lo mais saudável...

            Carisma, mesmo não tendo existem formas de fazer pessoas gostarem de você, pode ser um sorriso, ou disposição, ou simpatia, ou surpreender, ou elogiar, ou encontrar o que gostam em comum, ou atenção, ou preocupar-se com... cabe a nós cativar o as pessoas em nossa volta.

            Sr. Massão e sua esposa me cativou por diversas vezes, algumas vezes cheguei a dar uma carona para feira do sábado de manhã... são lembranças que pretendo não esquecer....

Mas a partir de hoje não irei vê-lo, .... Pois ele sorridente subiu em outro elevador, de demorada subida onde Deus irá recepcioná-lo e as pessoas que estão com ele no elevador aproveitarão a viagem...


terça-feira, 5 de julho de 2011

Experiências

Em nossas vidas passamos por diversas situações, tanto familiar quanto profissionais que as vezes para poder chegar a algum lugar mais fácil, em minha opinião é preciso recuar, reconhecer alguns erros e voltar como se fosse o início.
As vezes é preciso pegar caminhos mais doloridos, e eu fiz uma dessas escolhas. Fui Coordenador de Recursos Humanos por três anos em uma empresa que me fez crescer profissionalmente, como pessoa, enriquecendo minha vida com diversas experiências entre pessoas. Mas chegou a um ponto que este crescimento não preenchia todos os espaços e uma nova oportunidade ­– um emprego público larguei mão de tudo conquistado para uma vida que deixaria de ter alguns privilégios e recomeçar do zero.
Não que eu esteja reclamando de minhas escolhas, mas talvez eu não estivesse preparado naquele momento emocionalmente, fisicamente e intelectualmente para assumir essa nova jornada.
Minha nova função é principalmente emitir faturas em campo, andando em rua de baixo de sol, chuva, frio, calor.... sem contar os cachorros atrapalhando...
No primeiro dia de trabalho após treinamento, foi em um feriado municipal dia 9 de Maio de 2011 – onde o prefeito antecipou a comemoração do aniversário da cidade para uma segunda-feira. Foi um dia terrível, debaixo de um sol escaldante minhas forças se esgotaram e eu tive que parar para refletir, se realmente aquilo valia pena.
No final do dia fui para casa com dores em todas as partes do corpo mal conseguindo andar e uma amiga do antigo emprego me chamou para o grupo de oração na igreja Divino Espírito Santo. Cheguei mais cedo teve oração do terço e o grupo. Não que eu seja um religioso fanático mas apenas quem viveu e sentiu aquele momento sabe como Deus age em nossas vidas. Foi uma experiência única e que me da forças para continuar, pois sei que agora tenho um longo caminho a percorrer.

Quando em seu coração sentir que não pode mais sozinho, peça a Deus e verá do que ele é capaz e lembre-se de agradecer.

A mão de Deus, vai escrever mais um de seus milagres, se você crer que hoje é tempo de vencer, acredite o céu diz que sim

Ave Maria cheia de graça...
Pai nosso que estais no céu.... (Apenas quem viveu sabe do que estou falando)

sábado, 23 de abril de 2011

Olhar e enxergar

Conta a historia de um funcionário da construção que não enxergava pois tinha catarata. Ele passou por duas cirurgias e cuidou para que seus olhos melhorassem. A visão dele melhorou, mas continuava não enxergando (não sabia ler e escrever).
As vezes penso como faria para me virar em um outro país como a China, deve ser difícil olhar as placas, códigos, letras e não entender nada do que se está escrito.
Um belo dia cheguei em uma obra para levar os holerites dos funcionários, e logo veio a pergunta com tom sarcástico. – Fábio, sabe quem é o novo engenheiro da firma?
Eu esperei a piada, não havia entrado nenhum engenheiro na firma.
E ao perguntar quem, veio à resposta: um funcionário que não sabia ler e escrever o mesmo da cirurgia, que mal sabia assinar seu nome e marcar a data no holerite.
Perguntei o porque dele ser o novo engenheiro da firma.
Ele havia começado a estudar, isso um senhor com seus quarentas e poucos anos pedreiro da construção civil que não sabia ler e escrever voltou a estudar. Para ele o principal e verdadeiro intuito era tirar a carteira de motorista, mas existem muitos fatores ai que vão agir como fator determinante em sua vida.
A partir desse dia todas as vezes que passava por ele, perguntava sobre os estudos e falava da importância de estudar. Em uma conversa com a diretoria, eles colocaram que queria presenteá-lo.
Logo de manhã ligamos no nosso fornecedor de papelaria e pedimos uma bolsa. Liguei para o encarregado da obra e pedi para que avisasse que era para aquele funcionário no final do dia ir para o escritório. Quando isso acontecia geralmente era “bucha”. Kkkk
Choveu a tarde todinha, e perto das 17:30 ele chegou com a cara preocupada, todo molhado e eu o chamei para a sala de reunião pois iríamos conversar com ele.
         As palavras foram mais ou menos assim: olha a empresa chamou aqui hoje porque esta sabendo que você começou a estudar, estamos orgulhosos de sua atitude e queríamos falar que com isso muitas portas irão se abrir em sua vida. Aquele senhor encheu os olhos de lágrimas, meio perdido ainda com a situação não estava esperando.
         Presenteamos com a bolsa e um cartão assinado pela diretoria, engenheiro, encarregados...... Ele abriu o presente e saiu com um sorriso meio que sem saber o que havia acontecido.
         Eu fiquei pensando, ele deve ter chego em casa e mostrado aquele “troféu” para sua esposa..... Com um orgulho que não cabia no peito.
         O reconhecimento das atitudes das pessoas deve ser feitos, são fatores que marcam na vida e o motiva a cada vez mais buscar por algo melhor. A visão não está até onde seus olhos podem ver e sim até onde seu coração pode sentir.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

ALMA

Todos temos uma história para contar de uma viagem que fizemos que fica marcada para o resto da vida. A minha foi em Portugal e lá que conheci o Mosteiro de Alcobaça (onde muitos casais visitam o local para fazer juras de amor eterno em seu casamento). Lá estão enterrados os restos mortais de D. PEDRO I e D. INÊS DE CASTRO.
A história do principe D. Pedro I passa por volta do século XIV onde seu coração foi tocado por uma plebéia Inês, mas o rei D. Afonso IV não aceitou por ver a sucessão de seu trono “ameaçado”....
D. Afonso tentou armar uma “arapuca” dizendo que aceitaria Inês como princesa, mas D. Pedro pressentindo isso disse que não tinha nada com ela. Conta a história que D. Pedro e Inês se casaram escondidos (mas tiveram uma relação como amante), tiveram 3 filhos e foi o grande amor do futuro imperador.
Enquanto D. Pedro viajava o rei D. Afonso diante da notícia que os dois mantinham um relacionamento mandou cortar a cabeça da moça.
Levou algum tempo para filho e pai voltarem a conversar. Depois da morte de D. Afonso quando D. Pedro I assumiu o trono de Portugal construiu dentro do Mosteiro de Alcobaça dois túmulos um em cada ponta do Mosteiro um de frente para o outro.

Fez uma cerimônia de casamento com ela morta, coroando como rainha de Portugal e dando um beijo em sua mão. E em seu testamento colocou que era para ser enterrado neste mosteiro frente para o túmulo de D. Inês de onde foi colocado seus restos mortais, para quando chegar o dia do juízo final, quando eles levantarem verem um ao outro primeiro.
Muitos casais vão a esse mosteiro, afim de fazerem juras de amor.

“PROMETI GUARDAR AS PESSOAS ESPECIAIS EM MINHA ALMA E NÃO EM MEU CORAÇÃO. PORQUE UM DIA MEU CORAÇÃO DEIXARÁ DE BATER, MAS MINHA ALMA JAMAIS DEIXARÁ DE EXISTIR”.

domingo, 16 de janeiro de 2011

CANTO DA LIBERDADE

Meu pai é de uma típica família portuguesa, sempre muito quieto (sua natureza). Ele é um pai muito especial que amo incondicional, mas acho que em quase 28 anos de idade completos, meu pai nunca havia me contado uma história. Para não ser injusto, não que eu lembre. Hoje nós saímos e ele contou uma que valeu por muitas outras.
Nós fomos visitar minha avó por parte de mãe, e tinha um canário perto que cantava muito e mesmo na gaiola ele não parava de cantar como se quisesse falar algo. O canto era tão intenso que despertou na lembrança do meu pai uma história..
            Meu pai contou que meu avô que teve muitos pássaros durante toda sua vida, teve um que era muito especial e admirado por todos na região. Era um canário que vivia em uma gaiola e tinha um canto alto e cantava o dia inteiro.
            Afim de manter uma geração de pássaros cantantes, meu avô decidiu colocar uma fêmea na mesma gaiola afim de cruzarem.
            Meu pai conta que depois que ficaram juntos na gaiola o pássaro macho nunca mais cantou.            Um certo dia minha avó foi tratar dos pássaros e deixou a gaiola aberta e a fêmea fugiu.
            Nesse momento o pássaro preso cantava desesperado na gaiola, como se implorasse para fêmea voltar e a fêmea por sua vez ficou em uma árvore perto da casa. O pássaro macho cantava e voava por toda a gaiola tentando encontrar uma saída que o levasse até a fêmea.
            Minha tia mais velha colocou uma gaiola vazia aberta perto da árvore de onde a fêmea cantava, meio que perdida sem saber como voltar e outra gaiola com o canário que cantava desesperadamente. Depois de algum tempo a fêmea veio e entrou na gaiola vazia sozinha.

MORAL: Em alguns relacionamentos as vezes somos obrigados a abrir mão de muitas coisas para que seja uma relação longa e duradoura. A canário fêmea abriu mão de sua liberdade para ficar com quem ama.
A LIBERDADE NÃO ESTÁ NO LOCAL ONDE VOCÊ VIVE, E SIM COM QUEM VOCÊ QUER ESTAR.

 

domingo, 19 de dezembro de 2010

CAPOEIRA DA VIDA

Aquela época eu havia terminado a faculdade de Administração com todas aquelas “lindas teorias” prontas para por em prática na próxima empresa que eu fosse trabalhar.
A minha primeira entrevista depois de formado foi em uma construtora, meu atual emprego de onde a cada dia aprendo mais, são algumas dessas “lições” ou “experiências de vida” que eu quero compartilhar no blog.
O que a faculdade não me ensinou é que havia um mundo muito, mas muitooo diferente daquelas “lindas teorias”, que para executar meu trabalho, eu iria ter que entender tudo aquilo que estava em minha volta, aprender a jogar e entender o que se está jogando, a ter que dançar conforme a música, se preciso gingar, esquivar, ter equilíbrio – “jogar capoeira” analisando o adversário, e entrar na roda com toda malícia – trabalhando com o corpo, espírito e alma.

Um dos primeiros dias que eu levei “um tapa na cara” da vida para abrir os olhos de como deveria encarar o ritmo, foi com um negro chamado Jorge - o Mestre Carvoeiro, um negro mestre de capoeira angola que trabalhava na empresa.
O Mestre Carvoeiro tinha uma malícia em seu jeito de andar, de falar arrastado, com uma educação digno de um mestre – Jorge tinha um jeito de dar bom dia com um sorriso de mostrar os dentes que encantava a todos aqueles que conseguia ter a percepção e entender o valor de um verdadeiro sorriso, aquele bom dia que dá prazer em começar o dia. Seu serviço era fazer sondagem a trado em solo (abrir buraco). No fim do dia aquele negro sujo de terra ia para vestiário e era o último a deixar a empresa, pois se limpava e colocava a sua tradicional calça branca, cinto preto, camisa por dentro da calça e seu chapéu estilo boina da cor branca e seu sapato bege.
A vida ensina que por mais simples que a pessoa seja ela pode ser educada, e fazer todo serviço com dignidade e com cabeça erguida. Eu havia acabado de receber aquele suado dinheiro no começo do mês, como de costume peguei duas lotação LOTADA e fui para casa. Era perto das 19 horas em uma sexta-feira quando eu desci para ir no banco dois pontos antes do normal para sacar meu dinheiro. Assim que desci do ônibus vi aquele negão com um sorriso daqueles, que denunciava que estava aprontando alguma.
Perguntei se ele morava por ali e o que estava fazendo por aquela região? Ele estava no Ponto de Encontro um barzinho perto de casa com sua esposa, a ruiva professora de capoeira Pipoca catando no karaokê, dançando pagode e estava indo ao supermercado. Eu perguntei; - Mas Jorge o que você vai comprar no mercado?
Ele logo contou seu plano, dar verdadeiro valor aquelas pessoas que amamos que estão ao nosso lado em todos os momentos: - Foi aniversário da minha esposa na quarta-feira e como eu não tinha dinheiro não deu pra fazer nada. Hoje que recebi trouxe ela pra dançar e deixei ela ali no Ponto de Encontro com alguns amigos, porque vou no mercado comprar um bolo pois eu não pude dar no dia.
O reconhecimento e a lembrança deve ter sido o maior presente que a professora pipoca deve ter ganho, não importa a data para mostrar o tão importante ela é na vida dele.  Os momentos podem ser recuperados quando feitos de coração.

            A vida joga com nós a todos os momentos, só aqueles que tem a percepção de reconhecer um verdadeiro sorriso vão saber entrar na roda e jogar com a vida. Pode ser que ela em alguns momentos pareça te dar uma rasteira ou um tapa – mas alguns momentos mais tarde ao superar você vai saber que a vida não é marcada pelas rasteira e sim pelos aprendizados dos tapas que fizeram abrir os olhos e fazer suas escolhas.       Hoje o Mestre Carvoeiro anda gingando em outras rodas mas suas ações O BOM DIA, BOLO, MALÍCIA, DEDICAÇÃO NAQUILO QUE FAZIA ficaram marcadas nas vidas das pessoas que passou (Digno de um Mestre). Seja um mestre naquilo que faz.

domingo, 12 de dezembro de 2010

BIOGRAFIA DE CARLINHOS – O ALAGOANO


Carlos Henrique da SILVA, o Alagoano tem nome de nordestino, nome de brasileiro, nascido dia dezenove de abril de um mil novecentos e setenta e nove em São José da Laje – Alagoas. Filho de uma batalhadora analfabeta, passou por algumas dificuldades (inclusive a fome, desnutrição), mas com toda sua história de vida não perde o sorriso no rosto.
            O Alagoano com 31 anos parece ter passado por tantas situações em sua vida, que a cada ano que diz ter vivido corresponde a uns 10 anos a mais que a vida de uma pessoa normal (a rotina em nosso cotidiano nos prende, e não paramos para pensar que a vida passa, o tempo é curto, as situações não voltam), são experiências que seriam tristes se não fosse cômico ou vice e versa.
            Essa é uma história para aprendemos a dar valor, crescer, sabermos a viver mesmo de maneira simples, intensamente.

DE ONDE VEIO

Como falar de Carlos Henrique da Silva se antes não falar do nordeste, aquela terra de famílias grandes (grandes em quantidade de filhos, grandes na luta pela sobrevivência, grandes a forma em encarar a vida, mesmo com dificuldades sempre com o sorriso no rosto, com uma piada na ponta da língua em qualquer situação).
Mas quais a diferenças e as semelhanças entre alagoanos, baianos, cearenses, maranhenses, paraibanos, pernambucanos, piauienses, rio norte grossense, sergipanos? As diferenças eu não sei dizer, agora aquela cabecinha chata se reconhece de longe.... É “sabido” que aquela cabecinha chata é de carregar galões imensos com água nas cabeças.
Há nordeste local de belezas naturais sem igual, povo hospitaleiro, batalhadores, com um estado de humor que apenas (Chico Anysio, Tom Cavalcante, Tiririca, Falcão, DIDI MOCÓ e não tão famoso assim – mas tão humorado quanto Carlinhos Alagoano) sabem como ninguém a arte de fazer sorrir, pois só aquele sotaque é engraçadíssimo por si só. Que por outro lado o agreste e o sertão, devassa aqueles rosto com rugas ou marcas da vida registradas em seu corpo. Nordestino que labuta naquela terra castigada pela seca, que a sua aparência cansada e doente, pele fosca, cabelos claros (por causa da desnutrição), fala confusa, não os impedem de sorrir.
Carlos Henrique (Carlinhos) veio de lá, um típico nordestino, cabeça chata, alagoano, um metro e meio de altura, valente como um cão, cabra macho, porreta da porra, arretado, que tem um sorriso e um jeito de levar a vida que só um nordestino tem.
Se entrássemos dentro do coração do Alagoano íamos ver que em seu peito bate um poema do grande poeta Gonçalves Dias:

“Minha terra tem palmeiras,
onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
não gorjeiam como lá”.

Que falta faz a Alagoas, terra de onde brotou Carlinhos. Se aquela terra tivesse a metade das oportunidades que o Paraná tem, se o canto do sabiá de lá fosse iguais os daqui, talvez aquele alagoano tivesse ainda mais motivo para sorrir e nos divertir. Carlinhos tem um sonho em seu coração, mesmo daquele grande poeta Gonçalves Dias:

“Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu`inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá”.


            PAI

            Carlinhos chama de pai o padrasto, que foi a figura de homem em que pode se espelhar, o padrasto foi parceiro e muito mais que um pai, lhe mostrou de certa forma algo sobre o mecanismo da vida.
            Já o pai real separou-se muito cedo de sua mãe, certa vez “sequestrou” Carlinhos com 3 para 4 anos. Dizia que iria o criar o levando dos braços da mãe. O Alagoano devia ser a “peste” como o “cão”, desde essa época. São os primeiros registro que aquele garoto tem das grandes história que passou. Uma semana, esse foi o tempo para que seu pai o devolvesse para a mãe, dizendo que nunca mais queria o ver na vida.
            Reza a história que pai é aquele quem cria, é aquele que orienta, que está ao lado nas dificuldades, que tem amor incondicional, que respeita. O Alagoano foi conhecer seu verdadeiro pai com 25 anos, mas nunca tiveram uma relação. Da mesma forma Carlinhos é pai de um menino de 11 anos, chamado Paulo Henrique fruto de um relacionamento anterior e não tem muito contato, pois o menino mora em Alagoas com a mãe e a avó materna. O “Bunequinho” (Paulo Henrique) é lembrado com carinho, mesmo não tendo a presença física com seu filho é em suas orações recorda e no sonho de um dia poder recuperar o tempo perdido.

            IRMÃOS

            Dá para acreditar em 25 irmãos, o alagoano tem 3 irmãos do mesmo pai e mãe e o restante da prole espalhados pelo nordeste.
            Carlinhos teve um irmão com deficiência, ele conta que a criança não tinha a estrutura do pescoço (típico caso de paralisia infantil). Este irmão faleceu ainda quando Carlos era criança, hoje um mora em Alagoas com a mãe e ele e mais um irmão moram em Sarandi.

            MÃE

            Filho de mãe analfabeta, Carlos faz dos ensinamentos da mãe grandes lições de vida. Isso também o faz buscar aprendizado, pois conhece de perto a situação de uma pessoa sem estudo.
            Sua mãe apesar de não conhecer as letras, Carlos diz que não existe no mundo pessoa com maior educação e disposta a ajudar outros (uma educadora pelas experiências da vida).
            É a mãe que todos os finais de semana fala com o filho pela internet, preocupada como estão as coisas. Carlos lembra que os seus primeiros namoros era sua mãe que “ajeitava” as amigas para ficar com o menino.

            SEXO

            Iniciou sua vida sexual muito cedo, com muitos casos. Diz já ter passado de 100 casos amorosos (isso porque é um menino muito bonito). Foi com 13 anos que seu padrasto lhe deu 5 Cruzeiros para perder a virgindade com uma meretriz.
            Tudo combinado com a moça foram para um canavial e começaram a fazer sexo, Carlinhos era acostumado a assistir filmes pornográficos ficava gemendo como nos filmes e a moça pensando que ele estava sentindo alguma dor (parou por várias vezes preocupada se o garoto estava bem). Chegado a hora de pagar, a moça foi se lavar no corguinho, o Alagoano saiu correndo com  o dinheiro e deixou a moça a ver navios. Não passado muito tempo a moça foi bater na porta de sua casa para cobrar o dinheiro de seu pai.
            Nessa época Carlinhos carregava os produtos comprados na feira em um carrinho que fedia peixe podre. Um de seus principais clientes era o dono do cinema, que liberava a entrada dele nas seções. Geralmente a segunda seção era filme para adultos, Carlinhos costumava a se esconder no banheiro, e o pessoal falava que havia criança escondida (mas havia um acordo nos serviços de frete da feira para liberação das entradas). Ao apagar das luzes Carlinhos e seus amigos arrumavam um canto para assistirem filmes adultos e chegavam a “lambuzar os bancos com os filmes”.
            Aos 17 anos ele e seus dois irmãos saíram para os canaviais para trabalhar. Havia um amiguinho “viadinho” que gostava de ir junto. Diz a história que Carlinhos era  o capataz e ficava organizando a zona. Formava-se uma fila de aproximadamente 15 pessoas na frente e 15 pessoas atrás do “viadinho”. A parte de trás era para comer e os da frente era para o menino chupar. Os irmãos participavam da orgia, já ele só “organizava a zona”.
            Carlinhos feio que só diz ter ficado com algumas primas e foi amasiado 4 vezes, uma delas com a mãe de seu filho. Diz ter encontrado neste ultimo relacionamento com Karla o verdadeiro amor, que o completa em diversos aspectos. Ela quem sustenta a casa temporariamente, cuida da casa e da comida. Fala que nunca irá separar (Vai saber se ele tem sorte de encontrar 2 anjos na terra).
            Em sua região não há frescura, todo mundo é igual a tatu, vive correndo atrás de um buraco. Conta a história de uma ex ter roubado sua cueca usada só para ficar sentindo seu cheiro. Ele e seus amigos apostavam quem pegava mais menina principalmente na festa de São José. Certa fez acordou todo sujo por ter rolado no ralo e rola com as meninas nos pastos bêbado.

            TRABALHO

            Desde os 12 anos o Alagoano já trabalhava, a principio tratando de animais da propriedade de seu padrasto. Foi carregador de produtos da feira, foi guia turístico onde as pessoas o procuravam para fretar ônibus e passar feriados nas praias. Sua principal profissão ainda hoje é soldador, mesmo que da sua amada Karla.
            Nas diversas situações vividas, Carlos conheceu um tal de técnico de segurança do trabalho que não faz “porra nenhuma” e fica criticando o serviço dos outros. Cismado com isso decidiu fazer o curso, estagia no frangos canção na área de segurança. E conta o tão diferente que é o aspecto de segurança do trabalho no nordeste para a região sul.

            AMORES

            O irmão, Jair, Brinco, Edineide, Lucrecia, Willians – todos nordestinos que lutam pela uma vida melhor moram em Sarandi e são parceiros inseparáveis. Essas pessoas foram padrinhos do casamento no Civil entre Carlos e Karla.
            Karla seu grande amor, diz que sem ela, ele não é nada. Para onde vai a mulher tem que estar do lado.
            Nasceu flamenguista, mas ao ver o Corinthians da época do jogador Viola jogar mudou de time e hoje bate em seu peito a paixão corinthiana.
            Ele acredita ter muita capacidade, e pra piada o cara é muito bom, diz que as pessoas podem conhecer e ler muito mais que ele em diversos aspectos, mas ele é o campeão em leitura de contos eróticos.
            Quer ser técnico de segurança para ver os outros trabalhar, e cuidar de sua segurança.

            CONCLUSÃO

            É uma história de luta, aventura, superação. A busca da pessoa por aprendizado o faz crescer em diferente níveis:

  • Social – Ciclo de amizades;
  • Relacionamento – Aprender a conviver com pessoas;
  • Profissional – Oportunidades melhores de serviço e remuneração;
  • Psicológico – Ter mais confiança.
Carlinhos apesar de ter passado por dificuldades não deixa de viver intensamente cada situação. E a alegria e malicia de encarar a vida são diferenciais para fazer merecedor dessa pequena homenagem.